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Inhuçu - a força que surge

Projeto INHUÇU
Fortalecimento da capacidade de gestão de projetos econômicos e culturais e da identidade indígena para o etnodesenvolvimento Tapeba

Realização: Adelco em parceiro com a ACITA - Associação das Comunidades dos índios Tapeba
Apoio: Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA

Objetivo Geral:
Fortalecimento da capacidade de gestão de projetos das organizações e grupos Tapeba para uma produção e comercialização sustentável do artesanato Tapeba e simultâneo fortalecimento identitário de seu povo.

Os Tapeba na atualidade são "reconhecidos", são "visíveis"; querendo, assim, expressar o respeito e o relativo reconhecimento da cidadania que passaram a ter das autoridades públicas e da população não indígena, a partir de uma atuação política fortalecida na afirmação de seus direitos.

O projeto de construção do Centro de Produção Cultural da Comunidade Indígena Tapeba, complementado pela construção e operação do Memorial Tapeba, reforçam a perspectiva de uma crescente autonomia econômico-financeira apoiada no respeito e na valorização de sua identidade cultural no Ceará.

Entretanto muitos outros problemas emergem deste mesmo contexto, como o desafio da afirmação da identidade de um povo que se encontra disperso em 17 comunidades. Territórios permeados pela presença não indígena com características culturais distintas inerentes a estes grupos. Tais grupos influenciam e tencionam culturalmente esse povo e contribuem para a dificuldade de criar uma liga identitária mais forte, com implicações nos processos organizativos e de conquista de direitos dessas comunidades.

Lidamos cotidianamente com uma visão romântica bastante difundida no imaginário popular – índios e índias “não-civilizados”,  felizes na sua ignorância, ausentes e afastados do processo de “evolução” da nossa sociedade tecnocrática e, portanto, dos suportes técnicos e avanços científicos da era pós-moderna –, entretanto, encontramo-nos diante de uma realidade bem diferente: ou as comunidades indígenas avançam em sua capacidade de se apropriar e utilizar eficazmente estas ferramentas para superarem os desafios sociais, econômicos, culturais que se apresentam em seu   cotidiano ou   esse   grupo   social vivenciará o
esvaziamento de valores da sua cultura e de suas possibilidades de se viabilizarem como sujeitos de direitos.

Assim o que está demonstrado para o povo Tapeba é a necessidade de capacitação das organizações e grupos indígenas para formulação, captação de recursos e gestão de projetos econômico-culturais capazes de enfrentar suas problemáticas.

Os Tapeba estão convencidos de que necessitam se apropriar da capacidade de formular e captar recursos para suas iniciativas e ainda gerí-las com êxito utilizando instrumentos como a informática, aprendendo a utilizar programas que lhe permitam melhor gestão e operacionalização de seus projetos e entidades: gestão financeiro-contábil, elaborar banco de dados, produzir peças gráficas básicas (cartazes, folder...) entre outros. Outro aspecto fundamental é o aporte de maior qualidade a produtos de seu artesanato que aparece como necessidade premente, visto que iniciam seu ingresso em mercado internacional decorrentes da divulgação em Home page de seu catálogo de artesania. Este ingresso exige uma adequação relativa a estes mercados, considerando hábitos culturais, preferências... Buscar assim uma capacitação em ação, promovendo um reconhecimento do mercado e uma melhoria crescente dos produtos artesanais para afirmação desta produção junto a compradores estrangeiros e nacionais.

Ainda relacionada às práticas de comércio justo é preciso observar a sustentabilidade da base dos recursos naturais utilizados para elaboração do artesanato comercializado. Os Tapeba há séculos têm o costume de fazer utensílios de palha da Carnaúba para facilitar atividades do dia-a-dia. O Povo Tapeba ainda vem trabalhando na confecção de artesanatos tradicionais que se baseiam na utilização de sementes naturais (leucena, jiriquiti, sabonete, timbaúba, pau-brasil, mucunã, nescafé, gergelim-brabo, mulungu, entre outras).

É importante destacar que o número dessas árvores e plantas que fornecem estas sementes estão diminuindo nas comunidades Tapeba e é intenção desse projeto diagnosticar a situação das espécies da flora utilizadas pelo artesanato local e promover a recuperação da flora em áreas propícias através de plantio, produção de mudas, assim como pelo estímulo a uma arborização na comunidade a partir destas mudas produzidas de espécies nativas. O objetivo dessa ação pressupõe a capacitação da comunidade indígena sobre a importância e preservação dos recursos naturais, cujas reservas florísticas fazem parte de seu patrimônio natural e está a cada dia diminuindo, sendo suas sementes um importante meio de vida para sua sobrevivência através do artesanato.

Pensamos que ações dessa natureza possibilitem fortalecer a base de sustentabilidade da extração dos recursos naturais utilizadas pelo artesanato local. Também é importante estimular o manejo na utilização das sementes e outros recursos naturais que respeitados os limites de utilização permitem assegurar sua durabilidade e uso pela comunidade indígena.
Outro aspecto relativo ao uso sustentável dos recursos naturais refere-se ao necessário cuidado com a conservação da água no território Tapeba a fim de assegurar o acesso à água em quantidade e qualidade adequadas ao seu uso múltiplo. A democratização do acesso aos recursos hídricos no território Tapeba não está efetivada, implicando em problemas quanto a uma efetiva distribuição de água para o abastecimento humano. Há insegurança hídrica demonstrada pelo acesso restrito ao recurso em diversas localidades. O abastecimento de água em Caucaia é efetivado pela CAGECE , que possui captação insuficiente, sendo comum a falta d’água ou a má qualidade das águas dos poços que são salinizadas.

Foi identificada pelas lideranças indígenas à necessidade premente de buscar uma melhor qualidade das águas a partir da implantação de cisternas para captação de água de chuva frente ao problema de escassez de água em algumas comunidades, assim como devido abastecimento inadequado da água devido a problemas relativos à irregularidade do fornecimento e a má qualidade das águas que abasteciam as comunidades. Para tanto o projeto prevê uma capacitação a partir de equipe que desenvolveu iniciativa semelhante em Icapuí, assim faríamos um repasse dos conceitos e técnicas de saneamento ecológico (cisternas e fossas verdes) para indígenas Tapeba que aplicariam praticamente esses conhecimentos na implantação de cisternas e fossas nos equipamentos públicos das comunidades(escolas e postos de saúde). A iniciativa de repasse da tecnologia para os Tapeba reconhece a necessidade de melhor aproveitar as águas da chuva e tratar o esgoto doméstico, evitando assim, a contaminação dos lençóis freáticos que são de fundamental importância para uma melhor qualidade ambiental e suas repercussões sobre a vida das populações criando referência a ser considerada nas políticas de balanço hídrico e de universalização do acesso à água.

Outra dimensão do projeto é o fortalecimento identitário e integração das diversas comunidades Tapeba. Acreditamos que o estímulo a suas práticas culturais possa permitir que as comunidades Tapeba, hoje dispersas territorialmente e ameaçadas em sua integridade cultural possam através destas atividades garantir o fortalecimento cultural e a interculturalidade entre as comunidades, utilizando-se dos equipamentos como o CPC e o Memorial Tapeba para dar suporte a realização destes eventos e reforçar essa identidade.

Este fortalecimento da identidade e da interculturalidade se daria em eventos que potencializassem a realização de diversas práticas, dentre elas a dos jogos indígenas Tapeba estimulados com a intencionalidade de revitalizar as práticas culturais do povo, as modalidades esportivas tradicionais, vivenciadas nesse espaço, tais como arco e flecha, cabo de força, arremesso de lança, queda de braço, corrida com a tora da carnaúba, atletismo, natação e triátlon.

Outro elemento de fortalecimento cultural é a culinária Tapeba que é rica em variedades. Os pratos mais tradicionais desse povo são: farofa de uruá, mingau de curimã, bolos de milho, macaxeira e batata, tapioca, beiju, peixada, mungunzá, paçoca de camarão, entre outras. A intenção é que no projeto se faça um levantamento dessas práticas culinárias indígenas, um registro e difusão através de oficina. Tal iniciativa deve se articular a outras práticas de fortalecimento cultural indígena tanto para a vivência dos próprios Tapeba como via de agregação de valor cultural e simbólico ao CPC e ao Memorial Tapeba.

Entre estas práticas de fortalecimento cultural está a música, pois o povo Tapeba é detentor de grande musicalidade e o trabalho com o trabalho de musicalização, que pretende fortalecer a musicalidade de crianças indígenas através suas canções, ritmos e musicalidade, que tem como perspectiva a valorização da cultura indígena. Tal iniciativa também representa uma alternativa em arte-educação para crianças que moram no entorno do CPC e da Ponte, que usualmente se encontram como pedintes junto ao CPC o que se configura como grave problema social.

Ainda no âmbito da musicalidade indígena se pretende fazer um trabalho de confecção de tambores à mão, e trabalhar a musicalidade indígena através da percussão, o que permite simultaneamente um trabalho de arte-educação e de geração de renda, pois a confecção de instrumentos musicais artesanalmente é muito valorizada.

Concebemos que o MDA oferece uma oportuna via de desenvolvermos uma iniciativa que como se refere o vocábulo Tupi-Guarani, Inhuçu, que dá nome ao projeto é capaz de permitir “a força que surge”. É sentimento geral entre os membros da comunidade que o êxito desta iniciativa dará grande contribuição ao etnodesenvolvimento do povo Tapeba.

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